| Carga mais inteligente
Transportadoras e operadoras logísticas
investem em solução automatizada para otimizar o armazenamento
e movimentação de cargas
por LUCIANA
MAIA
de CURITIBA (PR)
Organizar a carga - especialmente
a fracionada - seja ela paletizada ou distribuída em caixas,
sempre foi uma das tarefas mais complexas na rotina de
uma transportadora. A novidade é que, nos últimos anos,
o mercado tem recebido uma série de softwares que prometem
auxiliar essa tarefa: é o caso, por exemplo, do Maxload,
uma ferramenta que está sendo utilizada por empresas de
médio e grande porte para o planejamento e otimização
de cargas em qualquer tipo de veículo. Entre os recursos
oferecidos pelo Maxload, desenvolvido pela Tops Engineering
Corporation, dos EUA, estão a agilidade do processo logístico,
possibilidade de seqüenciar o carregamento, gerar mapas
e gráficos em 3D e emitir relatórios logísticos customizados.
O software tem um preço médio de US$ 7 mil, conforme a
quantidade de licenças adquiridas.
De acordo com Luís Gardolinski, diretor
da Startrade, de Curitiba (PR), que representa o produto
no país, o software é voltado para empresas que têm no
transporte de cargas um fator logístico importante e de
alto custo. “Ele permite ao cliente escolher a melhor
opção de embarque das mercadorias, seja carga mista ou
padrão, trazendo rapidez para o processo e redução de
custos”, explica o executivo. “Como o sistema também leva
em conta a distribuição do peso por eixo, o centro de
gravidade da carga e as restrições de empilhamento, é
possível diminuir prejuízos causados por avarias na carga
e os gastos com a manutenção da frota”.

Luiz Gardolinski, da Startrade |
Gardolinski revela que uma transportadora
paranaense, que está testando o software há 30 dias, já
notou uma menor quantidade de notas-fiscais emitidas por
veículo e conseguiu diminuir o tempo de abastecimento
de cada contêiner, que é realizado por quatro funcionários,
em 20 minutos. Outro exemplo? Na Embraco, por exemplo,
que fabrica compressores em Joinville (SC), e está avaliando
o produto, observou-se teoricamente uma melhor otimização
do peso transportado. “O ganho foi de cerca de 5% a mais
no volume de carga a ser transportada, resultando no aumento
de mercadorias por contêiner”, afirma o executivo da Startrade.
Alexandre Sgrott, da área de Gestão Tecnológica de Produtos
e Processos da Embraco, lembra que embora o volume mensal
de carga seja de em média 470 contêineres entre 22 a 25
toneladas, não se pode esquecer a tara do contêiner (peso
máximo permitido), que varia conforme a legislação de
cada país.
Integração - Além da distribuição
da carga no contêiner, o programa também calcula a distribuição
do estoque de veículos em galpões e áreas de armazenagem,
levando em conta a seqüência do embarque e desembarque.
O software permite ainda a integração com outros sistemas
de banco de dados. De acordo com a analista de Exportação
da Electrolux, Sandra Sandri, a empresa usa o programa
desde 1999, quando ele ainda nem era distribuído no mercado
brasileiro. O armazenamento, que antes era feito sem uma
padronização, quase que manual ou com recursos do Microsoft
Excel, foi otimizado com a implantação do sistema.
“O software veio otimizar as cargas,
principalmente quando se trabalha com um mix de mercadorias
de tamanhos e medidas diferentes, como aspiradores de
pó, freezers, refrigeradores, aparelhos de ar condicionado,
enceradeiras e lavadores de alta pressão”, avalia Sandra.
“O tempo perdido era muito grande, mas agora, mesmo quando
há necessidade de se fazer alguma alteração na carga,
isso ocorre de maneira mais fácil, rápida e com uma margem
de erro menor”. Segundo ela, como o resultado da utilização
do Maxload na otimização de cargas foi satisfatório, a
Electrolux decidiu adotar o programa no mercado interno,
junto a distribuidores e clientes finais, e também na
Frigidaire, outra empresa do grupo.
Na
gaúcha Marcopolo, a maior encarroçadora de ônibus
do país, o Maxload foi implantado desde o começo
do ano. Mas, por
enquanto, somente para o planejamento das áreas
de almoxarifado das coligadas à empresa. Como a
Marcopolo exporta ônibus desmontados (CKD) para
o México, China e Colômbia, onde mantém outras unidades,
também segue junto com os contêineres um plano de
como a carga deve ser estocada. “Assim, pode-se
projetar o almoxarifado de acordo com o recebimento
das peças”, explica Vanderlei Peruch, da Divisão
de Componentes de Exportação da Marcopolo. “O próximo
passo será aplicar os recursos do produto na área
de armazenamento, para um melhor aproveitamento
dos contêineres. Por enquanto esse trabalho é feito
manualmente. Apesar de o sistema ainda não estar
em rede, percebemos que ganhamos em informação e
organização”. |
|
A Marcopolo tem usado o Maxload
para planejar a estocagem em suas unidades situadas
no México, China e Colômbia |
A Transpiratininga, empresa de São
Caetano do Sul (SP) que atua nas áreas de transporte,
administração de armazéns e movimentação de carga, realizou
o teste do Maxload em um de seus clientes. A principal
necessidade da empresa era obter ajuda na formação de
cargas, otimizando espaços e respeitando limites de peso
sobre os eixos do caminhão. “Para atender melhor um cliente
específico, buscamos utilizar o Maxload com o objetivo
de melhorar nossos processos”, informa Robson Mancini,
diretor da transportadora paulista.
Outra empresa que está obtendo bons
resultados com a utilização do software é a Frame Madeiras,
de Caçador (SC), que exporta 99% de sua produção de móveis
e portas. Rafael Francisco Thibes, administrador de redes
da Frame, revela que um programa similar era utilizado
anteriormente, mas ele demorava para gerar cálculos. “Estamos
em fase de implantação do Maxload para o preenchimento
de contêineres”, diz Thibes. “Mesmo assim, já foi constatado
que o sistema apresenta desempenho de cálculo e flexibilidade,
além de possibilitar melhor distribuição dos produtos
no carregamento e expedição”, garante o executivo.
Outras alternativas - “Vamos deixar baixar
a poeira e adequar o projeto à nova realidade econômica”,
diz o presidente do Ippuc. O projeto executivo que foi
contratado para o metrô, ao preço de R$ 5,8 milhões, não
chegou a ser desenvolvido, mesmo porque não houve a ordem
de serviço e, diz o prefeito, nenhum desembolso por parte
da Prefeitura. O consórcio formado pelas empresas TCBR,
Dalcon e Veja, que faria o projeto do Sistema de Alta
Capacidade, deve encontrar outras alternativas, em que
a capacidade financeira seja compatível. As possibilidades
em discussão incluem a união do ônibus bi-articulado a
um outro sistema. Também não será abandonada a idéia de
usar o traçado da BR 101. Hayakawa acredita que é possível
se encontrar alguma solução fora do metrô. Ele cita os
bondes elétricos, hoje com tecnologia avançada que têm
muitas vantagens sobre os ônibus.
|