Retrospectiva 2002 - Julho




A Logística se firma cada vez mais como parceira inseparável da Tecnologia da Informação para alcançar seus objetivos. Esse é o tema de capa da edição de julho da Fluxo, mostrando a modernização da Deicmar. E a Mercosul Line, nova empresa do P&O Nedlloyd, é assunto da entrevista.

 

Fora com o carimbo

O Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (ARFMM) passa a ser cobrado eletronicamente. O que muda com a cobrança eletrônica? Atualmente, o agente marítimo tem dez dias para recolher a taxa. Além do prazo longo para receber, o governo corre o risco de fraudes, já que o sistema é manual. Com o novo sistema, o importador tem que enviar eletronicamente os dados da remessa em até 48 horas antes do navio chegar ao porto, fazer a transação bancária e, só depois disso, a carga será liberada. “Precisávamos virar esta página, deixando de lado a papelada e os carimbos”, diz Vitorino Domnech diretor do Departamento de Marinha Mercante do Ministério dos Transportes.

Um cenário nada animador

Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e Associação Brasileira de Logística (Aslog) sobre transporte e logística, apresentada na 6ª Conferência Anual da Aslog, em São Paulo, revelou a baixa atratividade dos segmentos para novos investimentos, elevadas emissões de poluentes, consumo excessivo de combustível e alto índice de acidentes. O levantamento apontou a baixa produtividade da mão-de-obra no transporte de cargas (22%) quando comparada a de segmentos como siderurgia (68%) e telecomunicações. No rodoviário, a produtividade por toneladas de quilômetro útil fica em 0,6%, enquanto nos EUA chega a 1,8. No ferroviário, o índice é 9,3% contra 21,2% naquele país. De acordo com o levantamento, a falta de infra-estrutura é uma ameaça para o desenvolvimento do país. Para se ter uma idéia, 78% da malha rodoviária brasileira encontra-se em péssimas, ruins ou deficientes condições de tráfego.

Toda a força na cabotagem

Formado pela tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, o paulista José Carlos Elias nunca teve uma oportunidade real de exercer a advocacia. Seguindo a dica de um amigo, candidatou-se a uma vaga de estagiário na empresa de navegação brasileira Netumar (que já não existe mais) e caiu de amores pelo transporte marítimo. Em 1996, ingressou como gerente de tráfego do Caribe em uma das gigantes do setor, a P&O Nedlloyd. Dois anos depois já se incumbia do desenvolvimento de uma linha de cabotagem, sob a supervisão do diretor-executivo no Brasil, Peter Dekker. Elias tornou-se sócio minoritário da empresa especialmente criada pela P&O Nedlloyd para operar na área, a Mercosul Line. Aos 29 anos, é o principal executivo da Mercosul Line e desenvolve os negócios das duas empresas de logística recém-criadas, a Mercosul Logistics e a P&O Nedlloyd Logistics. Em entrevista a Fluxo, ele afirmou que, para o mercado ficar mais atrativo, as empresas de navegação querem continuidade no processo de modernização portuária e relações trabalhistas mais flexíveis nos portos brasileiros.

Tecnologia faz diferença

Em um mercado competitivo, onde a busca pela eficiência e a satisfação do cliente é uma constante, investir em tecnologia é a palavra chave. Disponibilizar serviços porta-a-porta, contemplar toda a cadeia logística, e oferecer informações e acompanhamento das mercadorias on line é cada vez mais necessário. Quanto maior for o leque de atividades oferecidas e de confiabilidade das operações, mais a empresa se destacará em meio aos seus concorrentes. De olho nessa tendência, a Deicmar, um dos maiores operadores logísticos do país, aliou sua experiência de 57 anos em operações aduaneiras com tecnologia de última geração e centralizou no escritório da matriz, em São Paulo, todos os serviços aduaneiros dos setores aéreo e marítimo. O objetivo da reestruturação foi o de promover mais agilidade e eficiência no atendimento ao cliente. Com a mudança, os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) e os aeroportos de Guarulhos e Viracopos (Campinas) ficaram responsáveis apenas pelo desembaraço da carga. Para que a reestruturação fosse colocada em prática, a empresa investiu R$ 400 mil em tecnologia de informação, por meio do sistema de gestão SAP R/3, da SAP, que permite a geração de todos os dados necessários para atender ao cliente com rapidez e segurança. Pelo grau de mudanças em relação aos sistemas anteriormente adotados, até que a migração para o SAP foi rápida. Não foram precisos mais do que quatro meses para a implantação do novo sistema. Segundo o diretor comercial da Deicmar, Omar Passos, contratado para comandar a nova fase da companhia, a implantação do sistema resultou em um atendimento muito mais direto, já que as informações estão todas centralizadas - ao contrário do antigo sistema, que levava o cliente a se comunicar com vários locais diferentes.

Carga mais inteligente

Organizar a carga - especialmente a fracionada - seja ela paletizada ou distribuída em caixas, sempre foi uma das tarefas mais complexas na rotina de uma transportadora. A novidade é que, nos últimos anos, chegou ao mercado uma série de softwares que prometem auxiliar essa tarefa: é o caso do Maxload, uma ferramenta que está sendo utilizada por empresas de médio e grande porte para o planejamento e otimização de cargas em qualquer tipo de veículo. Entre os recursos do software, desenvolvido pela Tops Engineering Corporation, dos EUA, estão a agilidade do processo logístico, opção para seqüenciar o carregamento, gerar mapas e gráficos em 3D e emitir relatórios logísticos.

Logística complexa

A holandesa TNT Logistics torna-se uma das empresas responsáveis pelo transporte rodoviário das peças de São Paulo e Belo Horizonte para abastecer a linha de montagem da fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia. A nova fábrica é uma das mais modernas do mundo e a operação logística é considerada uma das mais complexas da indústria automotiva brasileira, por envolver o suprimento just-in-time a uma distância de 2.000 quilômetros, entre São Paulo e Camaçari. A complexidade da operação exigiu um grande investimento em tecnologia de informação. Para eliminar quaisquer possibilidades de falhas na operação, a TNT apostou em sistemas de informática, adaptando e disponibilizando o software Lyra 2, já usado com sucesso em outras operações da TNT. O Lyra 2 permite, entre outras coisas, o acompanhamento do transporte em tempo real, definição de rotas e horários, planejamento do recolhimento do programa de produção, agendamento do transporte conforme demanda de produção, agilização do recolhimento e entrega dos materiais e visualização de anormalidades.

Quanto mais carga melhor

A inadequação dos mais importantes terminais de cargas do país ao incremento do comércio exterior nos últimos anos leva a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) a um esforço de investimento que, em 2002, vai chegar aos R$ 90 milhões só em logística, cerca de 50% a mais do que vinha sendo aplicado no setor antes deste ano. Gustavo Schild, superintendente de Logística de Carga da estatal, diz que um dos principais investimentos é o da construção do terceiro terminal de cargas de Manaus (AM), previsto para ficar pronto em abril de 2003. “Trata-se de um terminal muito importante para o escoamento da produção da Zona Franca que, pelo volume, vinha exigindo a ampliação do aeroporto”, explica Schild. A Infraero prevê a expansão e modernização dos aeroportos brasileiros até o ano 2004, mediante recursos próprios ou parcerias com governos estaduais, municipais e federal. A Infraero gerencia os 64 maiores aeroportos do país, onde investiu R$ 900 milhões. O valor é quase o dobro dos R$ 464 milhões investidos no ano passado. Pelo menos R$ 700 milhões foram aplicados nos terminais paulistas de Viracopos (Campinas), Guarulhos e Congonhas.

Itajaí se moderniza

O Porto de Itajaí, em Santa Catarina, vem se modernizando, acumulando bons resultados e se destacando no cenário nacional. Para se ter uma idéia, desde 1991, o volume movimentado setuplicou, passando de 32,4 mil para 243,5 mil contêineres por ano. De acordo com a Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Itajaí é o porto que vem apresentando melhor performance no ramo de contêineres, fato que o coloca como o segundo no Brasil nas exportações de contêineres cheios.

Peso pesado

Com a retomada dos investimentos na construção e ampliação de usinas hidrelétricas, um dos maiores grupos de navegação do mundo, o francês Louis Dreyfus e a Superpesa Transportes Especiais Intermodais, formaram uma joint-venture, a Superpesa Fret, para transportar os equipamentos para a construção de usinas. Sem temer a crise da energia, a nova empresa visualiza um amplo mercado até 2007.


A matéria acima foi extraída da revista Fluxo, edição de dezembro de 2002.

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