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A Logística se firma cada vez mais como parceira inseparável
da Tecnologia da Informação para alcançar seus objetivos.
Esse é o tema de capa da edição de julho da Fluxo, mostrando
a modernização da Deicmar. E a Mercosul Line, nova empresa
do P&O Nedlloyd, é assunto da entrevista.
Fora com o carimbo
O Adicional ao Frete para
Renovação da Marinha Mercante (ARFMM) passa a ser cobrado
eletronicamente. O que muda com a cobrança eletrônica?
Atualmente, o agente marítimo tem dez dias para recolher
a taxa. Além do prazo longo para receber, o governo corre
o risco de fraudes, já que o sistema é manual. Com o novo
sistema, o importador tem que enviar eletronicamente os
dados da remessa em até 48 horas antes do navio chegar
ao porto, fazer a transação bancária e, só depois disso,
a carga será liberada. “Precisávamos virar esta página,
deixando de lado a papelada e os carimbos”, diz Vitorino
Domnech diretor do Departamento de Marinha Mercante do
Ministério dos Transportes.
Um cenário nada animador
Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT)
e Associação Brasileira de Logística (Aslog) sobre transporte
e logística, apresentada na 6ª Conferência Anual da Aslog,
em São Paulo, revelou a baixa atratividade dos segmentos
para novos investimentos, elevadas emissões de poluentes,
consumo excessivo de combustível e alto índice de acidentes.
O levantamento apontou a baixa produtividade da mão-de-obra
no transporte de cargas (22%) quando comparada a de segmentos
como siderurgia (68%) e telecomunicações. No rodoviário,
a produtividade por toneladas de quilômetro útil fica
em 0,6%, enquanto nos EUA chega a 1,8. No ferroviário,
o índice é 9,3% contra 21,2% naquele país. De acordo com
o levantamento, a falta de infra-estrutura é uma ameaça
para o desenvolvimento do país. Para se ter uma idéia,
78% da malha rodoviária brasileira encontra-se em péssimas,
ruins ou deficientes condições de tráfego.
Toda a força na cabotagem
Formado pela tradicional
Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, o paulista
José Carlos Elias nunca teve uma oportunidade real de
exercer a advocacia. Seguindo a dica de um amigo, candidatou-se
a uma vaga de estagiário na empresa de navegação brasileira
Netumar (que já não existe mais) e caiu de amores pelo
transporte marítimo. Em 1996, ingressou como gerente de
tráfego do Caribe em uma das gigantes do setor, a P&O
Nedlloyd. Dois anos depois já se incumbia do desenvolvimento
de uma linha de cabotagem, sob a supervisão do diretor-executivo
no Brasil, Peter Dekker. Elias tornou-se sócio minoritário
da empresa especialmente criada pela P&O Nedlloyd
para operar na área, a Mercosul Line. Aos 29 anos, é o
principal executivo da Mercosul Line e desenvolve os negócios
das duas empresas de logística recém-criadas, a Mercosul
Logistics e a P&O Nedlloyd Logistics. Em entrevista
a Fluxo, ele afirmou que, para o mercado ficar mais atrativo,
as empresas de navegação querem continuidade no processo
de modernização portuária e relações trabalhistas mais
flexíveis nos portos brasileiros.
Tecnologia faz diferença
Em um mercado competitivo,
onde a busca pela eficiência e a satisfação do cliente
é uma constante, investir em tecnologia é a palavra chave.
Disponibilizar serviços porta-a-porta, contemplar toda
a cadeia logística, e oferecer informações e acompanhamento
das mercadorias on line é cada vez mais necessário. Quanto
maior for o leque de atividades oferecidas e de confiabilidade
das operações, mais a empresa se destacará em meio aos
seus concorrentes. De olho nessa tendência, a Deicmar,
um dos maiores operadores logísticos do país, aliou sua
experiência de 57 anos em operações aduaneiras com tecnologia
de última geração e centralizou no escritório da matriz,
em São Paulo, todos os serviços aduaneiros dos setores
aéreo e marítimo. O objetivo da reestruturação foi o de
promover mais agilidade e eficiência no atendimento ao
cliente. Com a mudança, os portos de Santos (SP) e Paranaguá
(PR) e os aeroportos de Guarulhos e Viracopos (Campinas)
ficaram responsáveis apenas pelo desembaraço da carga.
Para que a reestruturação fosse colocada em prática, a
empresa investiu R$ 400 mil em tecnologia de informação,
por meio do sistema de gestão SAP R/3, da SAP, que permite
a geração de todos os dados necessários para atender ao
cliente com rapidez e segurança. Pelo grau de mudanças
em relação aos sistemas anteriormente adotados, até que
a migração para o SAP foi rápida. Não foram precisos mais
do que quatro meses para a implantação do novo sistema.
Segundo o diretor comercial da Deicmar, Omar Passos, contratado
para comandar a nova fase da companhia, a implantação
do sistema resultou em um atendimento muito mais direto,
já que as informações estão todas centralizadas - ao contrário
do antigo sistema, que levava o cliente a se comunicar
com vários locais diferentes.
Carga mais inteligente
Organizar a carga - especialmente
a fracionada - seja ela paletizada ou distribuída em caixas,
sempre foi uma das tarefas mais complexas na rotina de
uma transportadora. A novidade é que, nos últimos anos,
chegou ao mercado uma série de softwares que prometem
auxiliar essa tarefa: é o caso do Maxload, uma ferramenta
que está sendo utilizada por empresas de médio e grande
porte para o planejamento e otimização de cargas em qualquer
tipo de veículo. Entre os recursos do software, desenvolvido
pela Tops Engineering Corporation, dos EUA, estão a agilidade
do processo logístico, opção para seqüenciar o carregamento,
gerar mapas e gráficos em 3D e emitir relatórios logísticos.
Logística complexa
A holandesa TNT Logistics
torna-se uma das empresas responsáveis pelo transporte
rodoviário das peças de São Paulo e Belo Horizonte para
abastecer a linha de montagem da fábrica da Ford em Camaçari,
na Bahia. A nova fábrica é uma das mais modernas do mundo
e a operação logística é considerada uma das mais complexas
da indústria automotiva brasileira, por envolver o suprimento
just-in-time a uma distância de 2.000 quilômetros, entre
São Paulo e Camaçari. A complexidade da operação exigiu
um grande investimento em tecnologia de informação. Para
eliminar quaisquer possibilidades de falhas na operação,
a TNT apostou em sistemas de informática, adaptando e
disponibilizando o software Lyra 2, já usado com sucesso
em outras operações da TNT. O Lyra 2 permite, entre outras
coisas, o acompanhamento do transporte em tempo real,
definição de rotas e horários, planejamento do recolhimento
do programa de produção, agendamento do transporte conforme
demanda de produção, agilização do recolhimento e entrega
dos materiais e visualização de anormalidades.
Quanto mais carga melhor
A inadequação dos mais
importantes terminais de cargas do país ao incremento
do comércio exterior nos últimos anos leva a Empresa Brasileira
de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) a um esforço
de investimento que, em 2002, vai chegar aos R$ 90 milhões
só em logística, cerca de 50% a mais do que vinha sendo
aplicado no setor antes deste ano. Gustavo Schild, superintendente
de Logística de Carga da estatal, diz que um dos principais
investimentos é o da construção do terceiro terminal de
cargas de Manaus (AM), previsto para ficar pronto em abril
de 2003. “Trata-se de um terminal muito importante para
o escoamento da produção da Zona Franca que, pelo volume,
vinha exigindo a ampliação do aeroporto”, explica Schild.
A Infraero prevê a expansão e modernização dos aeroportos
brasileiros até o ano 2004, mediante recursos próprios
ou parcerias com governos estaduais, municipais e federal.
A Infraero gerencia os 64 maiores aeroportos do país,
onde investiu R$ 900 milhões. O valor é quase o dobro
dos R$ 464 milhões investidos no ano passado. Pelo menos
R$ 700 milhões foram aplicados nos terminais paulistas
de Viracopos (Campinas), Guarulhos e Congonhas.
Itajaí se moderniza
O Porto de Itajaí, em Santa
Catarina, vem se modernizando, acumulando bons resultados
e se destacando no cenário nacional. Para se ter uma idéia,
desde 1991, o volume movimentado setuplicou, passando
de 32,4 mil para 243,5 mil contêineres por ano. De acordo
com a Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP),
Itajaí é o porto que vem apresentando melhor performance
no ramo de contêineres, fato que o coloca como o segundo
no Brasil nas exportações de contêineres cheios.
Peso pesado
Com a retomada dos investimentos
na construção e ampliação de usinas hidrelétricas, um
dos maiores grupos de navegação do mundo, o francês Louis
Dreyfus e a Superpesa Transportes Especiais Intermodais,
formaram uma joint-venture, a Superpesa Fret, para transportar
os equipamentos para a construção de usinas. Sem temer
a crise da energia, a nova empresa visualiza um amplo
mercado até 2007.
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