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Embarcadores apontam as vantagens de “diagramar”
a carga antes de carregá-la.
É
só a família preparar-se para sair de férias
que começa aquela velha briga, que se repete todos
os anos: o que cabe e o que não cabe no porta-malas
do carro.O pai já avisa de antemão: malas
pequenas para que seja possível acomodar tudo.
Mas os filhos não podem ficar uma semana sem o
aparelho de som e dúzias de CDs.A mãe quer,
agora que terá tempo, ler aquela pilha de livros
que guardou para as férias.O pai não acha
justo deixar em casa sua de ferramentas; quer aproveitar
a semana para fazer pequenos consertos na casa de praia
e relaxar. Em resumo: tudo é prioridade e deve
ser transportado. O pai tira uma mala de um canto, joga
em outro, puxa um pacote para cá, ajeita outro
lá, para que o aproveitamento do espaço
seja total. E ainda: tem de fazer isso sem amassar as
frutas, sem virar a caixa de ovos, e outros cuidados adicionais.
Se você se identificou com a cena descrita, sabe
da dificuldade de arrumar a bagagem no porta-malas do
carro. Imagine agora o “pobre” responsável
pela arrumação das cargas em um caminhão:
com certeza a vida dele é mais difícil que
a sua. Isso porque ele tem de encher um caminhão
que cruzará o País ou um contêiner
que atravessará o oceano com destinos como os Estados
Unidos e a Europa ou até a Ásia. Neste caso,
desperdício de espaço é sinônimo
de perda de dinheiro, e espaços superlotados significam
avarias ou restrições como excesso de carga.
Para resolver essa questão, as empresas estão
descobrindo os softwares para planejamento e o que se
chama de “diagramação” da carga.
Eles permitem que o usuário visualize as medidas
e percentuais de ocupação do peso e volume
do veículo carregado.
Funcionam da seguinte maneira: o usuário cadastra
no sistema as informações dos produtos dos
quais deseja simular a carga (quantidade, medidas das
embalagens, peso, restrições de empilhamento),
cadastra as informações do contêiner
ou caminhão (medidas, peso máximo), e o
software efetua o cálculo repetidas vezes até
obter o melhor desempenho. Depois basta imprimir ou enviar
para os envolvidos.
A Frame Madeiras Especiais – produtora de móveis
e portas – utiliza um desses softwares para fazer
cálculos para preencher, com a quantidade correta
de produtos, os contêineres destinados à
Europa, Estados Unidos e Argentina. “Se o peso do
contêiner está superior ao permitido, sofremos
restrições; se sobra espaço no contêiner
estamos carregando ar, ou seja, perdendo dinheiro”,
diz o administrador da empresa, Rafael Francisco Thibes.
A Frame já tem cadastradas as dimensões
dos contêineres. Sabe a quantidade de produtos que
quer exportar e software gera os cálculos de como
cada contêiner deve ser carregado.Às vezes
temos de respeitar uma seqüência de carregamento
e o software também nos auxilia nessa tarefa”,
diz Rafael.
Também usuário do software na empresa, o
programador de produção, Claudair Assis,
diz que atualmente a Frame simula a carga de todos os
embarques, independente do produto. Segundo ele, a principal
vantagem na utilização do software de otimização
é a segurança na definição
da carga a ser embarcada. “Outras vantagens que
obtivemos foram melhor aproveitamento do espaço
dos contêineres, distribuição do peso
da carga ao longo do contêiner, valorização
dos fretes e eliminação do problema de falta
de espaço. Esse último problema era possível
detectar somente no momento da finalização
da carga”.
Entre as economias obtidas pela Frame destaca-se a redução
do tempo de carregamento. “Hoje é possível
carregar até quatro contêineres HC (high
cube) de móveis montados em um dia. Sem o software,
a quantidade cai para dois contêineres. Também
eliminamos o tempo usado para a emissão de novos
documentos quando uma determinada carga excedida a capacidade
do contêiner”, diz Assis.
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